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Dia Nacional para a Sensibilização da Perda Gestacional


A Associação Projecto Artémis, que apoia (incondicionalmente) mães que sofreram perdas gestacionais, pretende criar uma Efeméride, o Dia Nacional para a Sensibilização da Perda Gestacional, a ser comemorado a 15 de Outubro.
Com esta data oficializada pretende que esta realizade vivida, infelizmente por cada vez mais mães/pais (assim como toda a familia) seja reconhecida por todos como um problema real, honrando a luta que se enfrenta para dar à luz o seu bebé já sem vida, tentando igualmente quebrar tabu envolto na ignorância de um problema que é sentido diariamente.

No fundo é como se fosse possivel dignificar o sofrimento e dar-lhe voz.

Como ainda não foi atingido um número suficiente de assinaturas para oficializar esta data, está a decorrer uma petição online para este efeito, basta fazê-lo em http://www.petitiononline.com/Dia/petition.html

Não custa nada e para quem viveu e vive diariamente esta dor e este vazio avassaladores é importante tornar esta data oficial para todo o país.

Por isso peço que assinem esta petição!

Conto convosco!

Comentários

  1. Há 3 anos vivi este pesadelo na 2ª pessoa.
    A minha irmã estava grávida da Sofia, que foi tão mimada por todos e muito especialmente aqui pela titi, mas às 37 semanas, numa urgência com a minha mana em trabalho de parto, veio a pior das notícias...a nossa Sofia não tinha batimentos cardíacos. Depois dos gritos de horror e desespero, seguiu-se um parto normal, no meio de todo aquele sofrimento, sem possibilidade de epidural, mas em que me garantiram que a minha mana estava tão drogada que seria impossível lembrar-se do parto. Mas ela lembra-se, de tudo. E eu lembro-me, de ir lá a casa, desmontar o quarto da Sofia, arrumar tudo da Sofia, para quando a minha mana regressasse, não ter que se deparar com aquele quarto feito com tanto amor. E lembro-me do estado de demência da minha mana, no hospital, agarrada às minhas mãos, a implorar-me para levar a Sofia ao colo para casa. Eu expliquei-lhe que tal não seria possível. Então ela queria levá-la na mala do carro. Ou em qualquer outro lugar, menos na carrinha funerária. Porque isso seria estar a admitir o que aconteceu. Acompanhei a minha mana (e o meu cunhado que estava verdadeiramente inconsolável) em todos os momentos, não me esqueço do dia da alta, à espera do elevador no hospital, eu atrás deles, abraçados e tão infelizes mergulhados naquela dor profunda. Dormi lá em casa quase uma semana, penteei a minha irmã que estava em estado quase vegetativo, para irmos ao funeral da Sofia. No cemitério, aquela urna minúscula que fará parte dos meus pensamentos pelo resto da minha vida, e o meu cunhado, em lágrimas, a levar a urna ao colo até ao destino final, porque seria a primeira e última vez que pegaria na sua filha ao colo. Meu Deus, ninguém deveria passar por isto nesta vida. Não deve existir dor maior que esta. Tenho estado a ler este teu blog, de trás para a frente (como sempre!), e apercebi-me que passaste pelo mesmo. Deixo-te aqui um abraço tão apertado, carregado de carinho e amizade. E agora quando a tua pequena-maior te perguntar, sempre lhe podes dizer que a Matilde está no céu, a brincar com uma linda menina que se chama Sofia...

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Lados

Ha sempre dois lados em cada história. Um dos mais desafiantes sentidos da nossa personalidade (para quem a tem) é sermos capazes de nos colocar do outro lado. Pode ser algo demorado. Pode demorar o tempo de sabermos a historia tal como ela é. Sem rodeios. Sem espinhas. Depois é so tirarmos as nossas conclusoes.

Ecos em palavras

Não me envergonho deste amor pela escrita. Não tenho porque o fazer sequer...sou assumida em tudo o que faço e gosto, temos pena! Com o lançamento e publicação do meu livro aprendi que nunca é tarde para as nossas vontades serem satisfeitas. Era uma vontade com 8 anos e meio, na verdade o livro estava escrito desde 2006, mas foi ficando lá por casa, espalhado entre móveis e pc´s. Ia escrevendo à medida da minha vontade. Se estivesse junto do pc escrevia mais um e outro parágrafo do que já estava escrito, mas se estivesse sem acesso ao pc escrevia em papéis, guardanapos de papel, post-it´s....sempre que me ocorria qualquer coisa que pudesse acrescentar mais sentido a tantas letras... Nunca reli o que ia escrevendo, sentia o eco das palavras assim que as idealizava em papel. Pouco ou nada me importo com o que pensam sobre o que lêem, da mesma maneira que pouco ou nada me importo com o que pensam a meu respeito. Julgamentos e opiniões não são problema meu mas de outras pessoas....