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Lá por casa somos 3 a crescer

(imagem da net)

Quando não sou só mãe sou amiga delas.
Umas vezes coloco-me na pele delas e sou pior que as duas juntas, outras tenho que impor autoridade e educação, com represálias pelo meio sempre que se justifique.
Em casa tento sempre fazer algo diferente que as estimule e nos possibilite divertir ao mesmo tempo.
Há os dias da “risada e palhaçada” onde só vale rir!
A regra deste jogo é só uma: Rir!
Depois há os dias das histórias.
Elas vão buscar a história que querem e depois de lidas são elas que me contam histórias.
Escuso dizer que quando é a pequena-mais-pequena a contar passamos à actividade “risada e palhaçada” sem dar conta, no meio do seu bebelês-português-a-fugir-para-o-chinês.
Recentemente a pequena-maior mostra-me uma carta que ela própria tinha escrito.
Eu estava distraída a arrumar umas coisas, abri a carta com alguma pressa e ela ficou à minha frente e pediu para ler em voz alta.
Era uma carta à mana que “está no céu”.
Ela insistiu que lesse...
Assim fiz, com um aperto enorme para manter alguma “postura” já que, confesso, fiquei incrédula.
Perguntei-lhe se ela tinha escrito a carta sozinha, e mostrou-me que sim quando foi buscar uma folha de rascunho, cheia de rabiscos e emendas.
Queria enviar a carta para o céu para desejar um feliz natal à irmã...
Sentámos no chão, disse-lhe que íamos jogar a um jogo novo, era um jogo para os mais crescidos mas que ela já podia jogar, e que se chamava “jogo da verdade”. Ela perguntava e eu respondia como no mundo dos mais crescidos se responde.
De olhos muito abertos ficou a olhar para mim muito interessada.
Expliquei-lhe que não podiamos enviar a carta porque não há correios no céu, e que a mana dela está no céu mas é um céu diferente, é o céu do pensamento dela e por isso está sempre presente.
Perguntou-me quando é que a mana voltava.
Disse-lhe que a mana não volta porque quando se morre não se pode voltar a viver, dei o exemplo da tartaruga “borboleta”, que tinha morrido e não tinha voltado mais.
Disse-lhe que ela faz bem em escrever cartas, mesmo que não sejam enviadas para o céu, ao que ela responde “sempre que tiver saudades vou escrever mãe”.
Observei-a e colocou a carta junto das coisinhas dela.
A morte é uma certeza de todos nós, e mesmo assim nunca estamos preparados para perder alguém.
Explicar a morte a uma criança não é tarefa fácil, mas torna-se menos difícil se não mentirmos, se soubermos acalmar e ouvir, até porque as crianças também sentem saudades, dúvidas, e se forem enganadas sofrem muito mais, ficam à espera do regresso de algo que...não volta.
A forma como se diz é muito importante, principalmente porque vai aprender a viver com essa realidade.
E a vida também é isso...aprender...
Todos os dias são um novo dia cheios de novos desafios nesta missão “ser mãe”.
Partilhar o crescimento delas é o que me move, e não duvido que estou à altura deste maior desafio.
Nunca se tem certeza se é o melhor, muitas dúvidas ficam, mas sinto que faço o meu melhor diariamente, e se hoje as dúvidas insistirem sei que amanhã farei melhor.
Sei...logo faço!

Comentários

  1. ÉS ADMIRÁVEL...e as tuas pequenas meninas de sorte

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  2. Lamento. Não sabia que tinhas perdido uma filha. Mas a tua explicação foi a mais clara e concisa possível. Parabéns! És uma boa mãe!

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  3. A tua pequena-maior é mt especial!

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  4. Lindas vocês as duas e muito especiais<3<3

    Bjs *_*

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  5. A anónima fui eu, a Magui da Pitinhas...não fiz login ups

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  6. A vida é mesmo feita de aprendizagens e as crianças com a sua inocência, são sem duvidas uns otimos professores

    Bj no coração

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  7. És muito grandee.. E tens uma força que inspira qualquer um.. :)

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  8. A verdade acima de tudo. O que interessa é que dás o teu melhor e tens a consciência tranquila. És sincera, honesta e tens muitos valores que elas estão e vão aprender. És um exemplo de pessoa, de mãe que elas irão seguir. Parabéns primaça!
    Adoro-te e admiro-te muito (nunca me canso de o repetir)

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Não me envergonho deste amor pela escrita. Não tenho porque o fazer sequer...sou assumida em tudo o que faço e gosto, temos pena! Com o lançamento e publicação do meu livro aprendi que nunca é tarde para as nossas vontades serem satisfeitas. Era uma vontade com 8 anos e meio, na verdade o livro estava escrito desde 2006, mas foi ficando lá por casa, espalhado entre móveis e pc´s. Ia escrevendo à medida da minha vontade. Se estivesse junto do pc escrevia mais um e outro parágrafo do que já estava escrito, mas se estivesse sem acesso ao pc escrevia em papéis, guardanapos de papel, post-it´s....sempre que me ocorria qualquer coisa que pudesse acrescentar mais sentido a tantas letras... Nunca reli o que ia escrevendo, sentia o eco das palavras assim que as idealizava em papel. Pouco ou nada me importo com o que pensam sobre o que lêem, da mesma maneira que pouco ou nada me importo com o que pensam a meu respeito. Julgamentos e opiniões não são problema meu mas de outras pessoas....